O encontro da passada quinta-feira, no Estádio de Alvalade, entre Portugal e o País de Gales foi positivo pelo resultado, ainda que a exibição conjunta não tenha sido muito bem conseguida na estreia de Jorge Jesus como selecionador nacional.
Um dos nomes que é sempre mais observado e focado pelas câmaras e holofotes internacionais é o do capitão Cristiano Ronaldo, que voltou a ser arrasado, nomeadamente pela imprensa inglesa.
Mas será que foi assim tão má? O Desporto ao Minuto analisou cada lance do camisola sete nesta partida, de modo a colocar tudo em ‘pratos limpos’.
A sua primeira intervenção foi com um remate bastante promissor que passou a centímetros do poste esquerdo da baliza de Danny Ward, aos nove minutos, que fazia prever que a dupla com João Félix estava bem calibrada para mais uma noite com golo de Cristiano Ronaldo.
Pouco depois, viu um remate à boca da pequena área ser cortado pelo defensor do País de Gales para um pontapé de canto, num lance em que, há alguns anos, teríamos visto o jogador do Al Nassr rematar de primeira e atirar para o fundo das redes, ao contrário deste caso, onde teve de dominar e se atrapalhou um pouco antes do remate.
Aos 26 minutos, eis que surge a primeira ‘borrada’ do camisola sete da seleção nacional. O avançado português recebeu a bola ainda fora da grande área, tendo João Félix ao seu lado para uma possível tabelinha. No entanto, CR7 escolheu agarrar-se à bola e, mesmo tendo uma segunda opção em Bruno Fernandes, à esquerda, não fez o passe e perdeu a posse, que deu um contra-ataque perigoso para os britânicos.
10 minutos depois, quis assumir um pontapé livre para obter o resultado mais comum dos últimos anos – a bola a embater na barreira adversária. Na sequência da jogada, foi tirado um cruzamento que ‘apanhou’ Cristiano numa posição perigosa – mas sem enquadramento para remate – e atirou para a malha lateral, quando havia outros quatro colegas em melhor posição de remate.
Aos 40 minutos, começou a frustração e as culpas para o relvado, depois de um remate frouxo ter ido à figura e sem grande potência para as mãos de Ward, num local em que o capitão costuma ser letal.
A segunda metade começou com movimentações interessantes, mas apenas quatro minutos após o recomeço, houve um falhanço que Cristiano Ronaldo certamente quererá esquecer, mas que será difícil de retirar da retina. Isto porque teve uma chance de ouro para dobrar a vantagem portuguesa e, a pouco mais de três metros da linha de golo, atirou… para a bancada.
Depois do horror, houve festa de Alvalade à Madeira, mas o golo (bem conseguido) pelo astro português acabou por ser anulado por um fora de jogo milimétrico. Na última ação em campo, aos 66 minutos, recebeu um passe de Bruno Fernandes para rodar sobre o defesa e atirar… sem perigo e para o meio da baliza.
Mas vamos a estatísticas.
Nos 67 minutos que Cristiano Ronaldo esteve no relvado do Estádio de Alvalade, fez um total de sete remates, apenas dois deles na direção da baliza – e, diga-se, do guarda-redes adversário – com apenas oito toques na área do País de Gales em toda a partida.
Além do fora de jogo que levou à anulação do seu golo marcado pelo VAR, o capitão da seleção nacional conseguiu ser ‘apanhado’ em posição irregular em mais duas ocasiões, não tendo, também, concretizado nenhum drible com sucesso.
Com uma taxa de sucesso a rondar os 82% quanto aos passes acertados, viu essa percentagem descer para 50% ao falhar um dos dois duelos defensivos que teve na partida. Resta agora saber como irá reagir Jorge Jesus a estes dados, visto que considerou que Cristiano Ronaldo fez um bom jogo frente ao País de Gales.