Apoiar o FC Porto levou Rui Pinto a cometer alguns atos

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“O pirata informático que tentou deitar abaixo o Manchester City”. É desta maneira que a estação televisiva britânica BBC Sport se refere, este sábado, a Rui Pinto, depois de o ‘todo-o-poderoso’ clube inglês ter sido considerado culpado de ter cometido 114 das 115 infrações aos regulamentos financeiros da Premier League de que era acusado.

A publicação foi às ‘raízes’ do fundador do Football Leaks e falou com algumas das pessoas que melhor o conheceram, como foi o caso de Mário Falcão, seu antigo professor de geografia, na Escola Secundária Almeida Garrett, que recordou “um aluno perfeitamente normal”, “simpático, com o seu cabelo espetado e bastante social, mas não extrovertido”.

“Ele tinha uma boa relação com os professores, ainda que faltasse às aulas com bastante frequência. O pai dele estava sempre em cima de tudo, por isso, no final, passavam muito facilmente (…). Certamente, ele era muito bom com os computadores. Todos os trabalhos que ele fez para várias disciplinas foram muito bons, quando se dedicava a isso”, afirmou.

Ainda assim, foi com surpresa que recebeu a revelação de que tinha sido este o responsável pela divulgação de milhares de documentos confidenciais, envolvendo vários clubes do mundo, entre eles, o Benfica, rival do ‘seu’ FC Porto, que teve mesmo de responder em tribunal pelas suspeitas daí derivadas.

“Nós ficámos bastante surpreendidos. Não estávamos a imaginar que nada disto pudesse acontecer, que ele poderia ter problemas com a Justiça. Eu, certamente, não desejaria que ele ou a família dele estivessem nesta situação. Talvez tenha sido uma questão de excessos da juventude, da sua capacidade com os computadores e talvez de um excesso de clubismo”, refletiu.

“Por isso, vocês sabem, o facto de ele apoiar o FC Porto levou-o a cometer alguns atos, mas ele talvez também tenha sentido a necessidade de justiça que os jovens muitas vezes sentem”, acrescentou.

“Aquilo que Rui Pinto fez foi um ato criminal”

Confrontado com os mais recentes desenvolvimentos do caso envolvendo o Manchester City, o advogado de Rui Pinto, Francisco Teixeira da Mota, confessou que estes são “importantes para ele, porque é muito difícil ser como ele é, vivendo uma vida muito difícil, mais ou menos escondendo-se, porque fez algumas revelações”.

“Ele revelou muitas coisas importantes, nomeadamente, sobre o Manchester City, por isso, seria importante para ele ser reivindicado que foi útil, que algo aconteceu, por causa daquilo que ele fez”, apontou. Já Stefan Borson, antigo conselheiro financeiro do clube, assumiu que eventuais castigos podem “colocar em causa toda a era do Sheik Mansour”.

“Penso que as consequências podem ser muito amplas para o clube, e seria muito difícil para eles lidar com isso. Ao longo do tempo, claramente, terá havido algum tipo de reinício. Penso que, em vários sentidos, a Premier League é um fracasso, de qualquer maneira (…). Nós sabemos que aquilo que ele [Rui Pinto] fez foi um ato criminal, e foi condenado por isso”, lembrou.

“Nós também sabemos que os ‘hackers’ dessa natureza tentam reenquadrar-se como parte do processo de defesa e fornecedores da liberdade de expressão, mas, assim que aqueles documentos ficaram no domínio público, penso que é altura de as autoridades agirem”, completou, recusando encarar o português como “algum tipo de guerreiro da liberdade”.

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