AVB defende árbitro do Clássico contra Benfica e Sporting: “Manto Marrom”

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André Villas-Boas aproveitou o editorial assinado na mais recente edição da revista Dragões para levar a cabo um ‘ataque cerrado’ aos eternos rivais, começando, desde logo, pela maneira como o Benfica abordou o tão aguardado Clássico da sétima jornada da I Liga, diante do FC Porto, do qual acabaria por sair derrotado, por 3-1.

“Vencemos o adversário e respondemos à arrogância de quem passou semanas a tentar diminuir o FC Porto, os seus adeptos e o seu grupo de trabalho. Foram insultos, suspeitas fabricadas e tentativas de condicionamento, servidos em monólogos em que a clubite aguda substituiu o contraditório”, começou por escrever.

“Os comentadores do ‘Manto Marrom’, essa mistura de verde e vermelho que tão bem traduz o alinhamento da Segunda Circular, parecem já ter fundado um novo clube. Ainda não lhes conhecemos o estádio, mas a sede funciona em vários estúdios e a política de comunicação está perfeitamente coordenada: a necessidade de atacar e menosprezar tudo o que tem a ver com o FC Porto”, prosseguiu.

“O pacto de sangue é tal que o telespectador menos atento pode até ficar confundido sobre qual a cor clubística de cada um. A nossa equipa não precisou de responder-lhes ao microfone. Respondeu em campo, com futebol, personalidade e uma vitória que nenhuma discussão de rodapé consegue desfazer, levando-os a ter de lamber as feridas uns dos outros, enlutados pela dor comum de uma vitória do FC Porto”, completou.

Pelo meio, o presidente dos campeões nacionais em título aproveitou para sair em defesa da “excelente arbitragem de Miguel Nogueira”: ” Nem especialistas nem ex-árbitros nem diretrizes da UEFA vão prevalecer sobre as opiniões das redações tendenciosas e dos seus diretores e editores executivos, bem como da parafernália de adeptos, ex-funcionários, ex-candidatos, ex-jogadores e ex-colaboradores do Benfica que invadem os espaços de opinião, e tiveram o seu expoente máximo de fanatismo no comentador que afirmou que Gabri Veiga deveria ter sido expulso, e o FC Porto ficar reduzido a dez jogadores, num momento em que o próprio já nao se encontrava em campo”.

“O absurdo ganha novos contornos quando a suspeita se estende também à SportTV, num campeonato em que o mesmo clube detém os direitos sobre as transmissões televisivas dos seus jogos em casa, num conflito de interesses estrutural e flagrante que, noutras latitudes, seria considerado incompatível com qualquer pretensão de isenção. Que o detentor desses direitos possa decidir, sem escrutínio externo, quais as imagens que chegam ao público e quais permanecem na sala de montagem, é uma situação que dispensaria comentários se não fosse tão conveniente para quem dela beneficia. Haja decoro”, atirou.

“Trocado por miúdos e para simplificar: o país ia parar porque o Benfica ia ganhar e ninguém ia trabalhar. Para que isso acontecesse, Miguel Nogueira deveria ter sido “padre”, mas não foi: foi apenas árbitro, isento e sério, em mais um clássico do futebol português. Mas vejamos o lado positivo: com a vitória do FC Porto, perderam-se horas de diretos e filmagens do autocarro do Benfica e assim se pouparam milhares de euros em gasolina, que está muito cara”, acrescentou.

“Quanto vale um Pote?”

No entanto, André Villas-Boas não se ficou por aqui, e virou, de seguida, baterias para o Sporting: “Entre os apoios públicos à continuidade de Luciano Gonçalves destacou-se o apoio de Frederico Varandas. Registamos essa posição, como registamos a diferença entre a prontidão de certos votos de confiança e a indignação imediata que surge quando o nome do FC Porto entra numa discussão”.

“Para nós, o critério não muda com o destinatário: importa proteger as competições, os árbitros e a independência das suas decisões. Continuaremos a promover as diligências necessárias para obter esclarecimentos e a defender o afastamento temporário do presidente deste órgão. Um voto de confiança não substitui uma explicação, nem a defesa do bom nome de alguém exige que se exponha toda a competição ao desgaste da dúvida”, argumenta.

“Curiosamente, aquilo que merece reconhecimento fora de portas provoca cegueira e coceira entre os especialistas do ‘Manto Marrom’. Passaram o verão a fazer contas às nossas dificuldades financeiras e agora parecem particularmente incomodados por nos verem conservar talento e somar vitórias. Há avaliações que sobem com a camisola certa e desvalorizam o vizinho por obrigação editorial. Entre os potes dos sorteios e os preços que se atribuem ao talento, fica a pergunta: quanto vale um Pote? A resposta não pode depender da cor do cachecol de quem segura a calculadora”, conclui.

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