St. Juste coloca tudo em pratos limpos: “Sporting? É uma pena…”

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Jeremiah St. Juste concedeu uma extensa entrevista à mais recente edição da revista neerlandesa Voetbal International, na qual ‘abriu o livro’ a propósito do conturbado processo que culminou com a saída do Sporting rumo ao Feyenoord, no passado mercado de transferências de verão, a ‘custo zero’.

“Aquele clube está no meu coração, apesar de tudo, e eu estou grato àquelas pessoas. É, simplesmente, uma pena muito grande que as coisas tenham acabado como acabaram”, começou por lamentar o jogador de 29 anos de idade, que viu a passagem pelo Estádio José Alvalade ficar ‘manchada’ por uma sequência de problemas físicos.

“Coisas deste tipo acontecem em quase todo o lado, quando o futebol se torna num negócio e interesses particulares entram em jogo. Se tu és esse negócio, é difícil separá-lo da pessoa. Quando toca ao negócio, ao dinheiro, tens de separar uma coisa que não pode ser separada: o futebolista e o ser humano”, prosseguiu.

“E, quando isso acontece… É, provavelmente, por isso que, por vezes, os clubes têm dificuldades em dar as más notícias cara a cara. Ainda que isso seja exatamente aquilo de que todos os jogadores precisam: apenas honestidade. Eventualmente, a dor desvanece. É por isso que também gosto de visitar Lisboa. Os meu filhos têm amigos lá”, completou.

“Estive muito perto do Bayern Munique”

Nesta mesma entrevista, Jeremiah St. Juste revelou que, antes de trocar o Mainz pelo Sporting, em 2022, por perto de dez milhões de euros, teve em mãos a oportunidade de rumar ao Bayern Munique: “Estive muito perto, mas, depois, desloquei o ombro. Fui operado a ambos os ombros, nesse anos, porque foi necessário”.

“Nunca mais voltei a ter qualquer problema, mas também não houve transferência. O Bayern Munique disse, honestamente, ‘Já não temos condições’. O outro lado da história foi aquilo que Ruben Amorim disse: ‘Aquelas cirurgias foram melhores para nós. Caso contrário, nós, no Sporting, nunca poderíamos ter-te contratado”, refletiu.

“Por vezes, também estás dependente da sorte. É claro que a pergunta do ‘E se’ me assombra a mente, ocasionalmente. E se eu tivesse ido para o Bayern Munique ou para o Borussia Dortmund? Eu estava na lista de convocados preliminar de Frank de Boer para o Campeonato da Europa, em 2021. É verdade que não joguei, mas fui chamado”, lembrou.

“Mais tarde, também joguei na Liga dos Campeões, pelo Sporting, tal como o Bayern Munique e o Borussia Dortmund. Derrotámos equipas como Arsenal, Manchester City ou Tottenham, mas, virtualmente, ninguém nos Países Baixos reparou. É o que é. Vais para Portugal e, de repente, sais do cenário, ainda que tivéssemos uma equipa muito boa”, rematou.

“No Sporting, Ruben Amorim tinha construído o grupo. No Manchester United, aterrou numa situação existente”

A terminar, Jeremiah St. Juste procurou explicar por que é que Ruben Amorim (o atual treinador do AC Milan) não conseguiu ter, no Manchester United, o mesmo sucesso que teve no Sporting: “Pessoas diferentes, estruturas diferentes e culturas diferentes. No Sporting, ele tinha construído o grupo. No Manchester United, aterrou numa situação existente”.

“Outra lição que aprendi ao longo dos anos é que comecei a perceber muito bem aquilo por que os jogadores passam quando mudam de clube e começam a jogar num país diferente, com uma cultura diferente. Tem sempre a ver com o ambiente, com as ligações que tens de encontrar. Não estás a colocar uma máquina em funcionamento, mas sim um ser humano”, concluiu.

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