No Sporting, havia muitas queixas de Cristiano Ronaldo e Quaresma

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O jornal espanhol Sport publica, esta quinta-feira, um extenso artigo dedicado a Ricardo Quaresma, no qual reúne uma série de testemunhos a propósito dos motivos pelos quais a aquisição por parte do Barcelona ao Sporting, no verão de 2003, a troco de uma verba na ordem dos seis milhões de euros, não correu como nenhuma das partes esperava.

Em Camp Nou, o antigo internacional português foi utilizado pelo então treinador, o neerlandês Frank Rijkaard, em apenas 28 partidas oficiais, que este pontoou com um golo, antes de regressar a Portugal, um ano depois, pela ‘porta’ do FC Porto, sensivelmente pelo mesmo valor, no âmbito das negociações por Deco.

Um dos entrevistados foi Toñito, que com ele partilhou balneário, no Estádio José Alvalade, e que não esquece a parceria que formou com um então também jovem Cristiano Ronaldo: “Os dois recebiam muitos raspanetes e queixas dos veteranos, devido às barbaridades que faziam, no um contra um”.

“Por muito que se dissesse o que se dizia deles, tinham aquele descaramento, e, lá, já sabias que, à margem da qualidades, tinham personalidade. Davam-lhes umas patadas de dar a volta à cabeça, e eles voltavam a encará-los”, lembrou o antigo médio, atualmente, com 49 anos de idade.

“É vantajoso dizer, hoje em dia, que já sabia que iriam conseguir o que conseguiram, mas era óbvio que seriam profissionais. A diferença entre um e outro era a capacidade mental. O Cristiano tinha uma mentalidade diferente, e o Quaresma uma qualidade técnica infinita. No final, os dois demonstraram que deixaram marca, e o Cristiano continua a deixar”, acrescentou.

“Quaresma era um tipo de jogador com um físico ao estilo do de Cristiano Ronaldo”

Já Jaume Langa, na altura, fisioterapeuta do Barcelona, levou as explicações sobre Ricardo Quaresma para outro plano: “Era um tipo de jogador com um físico ao estilo do de Cristiano, um extremo muito explosivo, com uma mudança de ritmo que deixava o lateral sentado. Se começava a jogada, quase sempre a concluía ele próprio”.

Em Camp Nou, o Mustang travou amizade com Óscar López, que explica a união entre ambos com o facto de serem “mais ou menos da mesma idade” e de “gostarem de fazer brincadeiras”: “Sentaram-nos próximos, no balneário, e tivemos uma ligação. Nas concentrações, passávamos muito tempo juntos”.

“É muito bom tipo, e, nos treinos, calhava-me muitas vezes jogar contra ele, porque ele era extremo direito e eu era lateral-esquerdo. Lembro-me especialmente dos cruzamentos de letra. Ele chegou com muita vontade de triunfar, mas calhou-lhe uma temporada dura e cheia de dificuldades”, recordou.

“É um daqueles futebolistas que se dedicam a fazer coisas que, na realidade, não servem para nada”

Finalmente, Rafa Cabeleira, colunista do El País que acompanhou com particular atenção o ocaso de Ricardo Quaresma, lembrou: “Para mim, é um jogador absolutamente fetiche, por várias razões. A primeira, porque é português, que, para mim, é uma variedade de galego, mas com o orgulho de pertença muito exacerbado”.

“A segunda, devido à sua forma de entender o jogo. Parece-me totalmente subversiva, totalmente excessiva e carente de sentido. O que nos leva à terceira. Eu penso que é um daqueles futebolistas que se dedicam a fazer coisas que, na realidade, não servem para nada, a não ser para se divertir”, refletiu.

“Eu estarei sempre muito a favor das pessoas que fazem coisas que não servem para nada”, concluiu.

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