AVB recorda convite do PSG: “Agradeci-lhe a sinceridade e disse-lhe…”

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O presidente do FC Porto, André Villas-Boas, concedeu, na manhã desta segunda-feira, uma extensa entrevista ao podcast de John Obi Mikel, antigo jogador do Chelsea, com o nome The Obi One Podcast, na qual, entre outros temas, ecordou quando o Paris Saint-Germain o tentou contratar para o comando da equipa, em 2013.

“Estava em casa a arranjar um carburador das minhas motas do Dakar quando o Nasser (Al-Khelaifi) me ligou. Disse-me que o Leonardo me ia telefonar porque queriam que eu fosse o novo treinador do Paris Saint-Germain. Dei-lhe o meu número e continuei de mãos sujas a trabalhar na mota”, começou por dizer André Villas-Boas.

“O Leonardo ligou-me e disse: ‘André, é um prazer falar contigo, mas quero que saibas uma coisa: tu não vai ser a primeira opção do Paris Saint-Germain. Eu é que ia ser o treinador, só que tive um incidente no túnel contra o árbitro, a Federação Francesa vai suspender-me e eles querem-te a ti como minha segunda escolha’. Ouvi aquilo, agradeci-lhe a sinceridade e disse-lhe logo: ‘Leonardo, muito obrigado, mas assim não há hipótese nenhuma de eu ir para o Paris Saint-Germain”», acrescentou. 

André Villas-Boas revelou que Nasser Al-Khelaifi voltou a ligar e desculpou as palavras do seu diretor-desportivo.

“Respondi-lhe: ‘Mas como é que comecemos bem se me dizes que sou a segunda escolha de um diretor desportivo? Esquece, não há hipótese'”, atirou. André Villas-Boas confessou que o interesse do Paris Saint-Germain se prolongou por algumas semanas, com reuniões nas Bahamas, onde estava de férias, e negociações com o Tottenham.

“Eles estavam a insistir e o Tottenham estava a tentar vender-me, tinha uma cláusula de rescisão de 20 milhões de euros. Falei com o emir do Catar, mas não tinha um bom feeling. Disse-lhe a minha situação, sou muito meticuloso e sei para onde quero ir. O meu adjunto estava a insistir, mas acabei por recusar. Na minha cabeça, se eu estava a rejeitar o Paris Saint-Germain, o Tottenham ia renovar o meu contrato. Mas não, eles queriam vender-me. Parei de falar com o Daniel Levy e depois acabei por sair”, vincou o presidente do FC Porto.

Villas-Boas apontou ainda que o mercado de transferências está cada vez mais exigente.

“É cada vez mais difícil competir com os clubes da Premier League. Posso falar do caso do Caleb Yirenkyi. Estávamos a negociar com o Nordsjaelland e fomos o mais longe que podíamos para o trazermos, mas tivemos de parar e ele acabou por ir para o Coventry City por 27 milhões mais bónus. É um jogador muito talentoso e tínhamos grandes expectativas para o futuro dele. Queríamos trazê-lo, desenvolvê-lo e, mais tarde, provavelmente transferi-lo para um dos grandes clubes da Premier League, mas não conseguimos. Isto acontece cada vez mais. A habilidade que os clubes ingleses têm para construir grandes departamentos de scouting capazes de identificar talentos mais rápido do que nós permite-lhes antecipar-se. Noutra altura qualquer, o Caleb teria vindo para o FC Porto e depois seguiria para um grande clube da Premier League. O caminho típico dos jovens talentosos seria parar em Portugal ou Espanha antes de rumar à Premier League, mas isso já não acontece. Os jovens vão diretamente para a Premier League, não para os clubes de topo, mas para outros que lutam pela manutenção”, confessou Villas-Boas.

“Nós também vendemos para esses clubes e isto é uma nova tendência. Está a tornar-se cada vez mais difícil competir com eles. Para identificarmos talentos antes deles, temos de analisar jogadores com 16, 17 e 18 anos ao redor do mundo. Por exemplo, trouxemos o Oskar Pietuszewski aos 17 anos, o Eirik Granaas aos 16 e o Gabriel Mec aos 18. No futuro, o fluxo excessivo de talentos para Inglaterra pode causar um deslizamento do talento da Premier League nas próximas épocas, porque os jovens não estão a ter minutos e estão constantemente a mudar de clubes. Os clubes ingleses vão querer continuar a recrutar talento, mas também vão querer transferi-lo e nós não temos capacidade para cobrir o salário deles. Isto já está a acontecer na Arábia Saudita e nós já contratámos jogadores como o Gabri Veiga. Ele mudou-se cedo para lá por questões financeiras, mas quis regressar à Europa e voltar a receber um salário europeu, porque queria adquirir experiência europeia e disputar a Liga dos Campeões. O que está a acontecer na Arábia Saudita pode vir a acontecer na Premier League daqui a dois ou três anos”, finalizou.

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