Foi preciso muita persistência e bravura para os sorrisos dos dragões. O campeão FC Porto conseguiu ultrapassar as dificuldades, a maioria delas provocadas por Ignacio de Arruabarrena na baliza, para vencer, na noite de domingo, por 2-0 na receção ao Arouca, com o qual estava igualado antes da terceira jornada, além do Marítimo.
No Estádio do Dragão, no Porto, os campeões nacionais marcaram através dos espanhóis Gabri Veiga, aos 67 minutos, e Borja Sainz, aos 86′, mas não devemos olhar apenas a isto. O FC Porto venceu, é certo, mas depois de muitas chances desperdiçadas – antes e depois do golo inaugural.
É uma verdade que foi o jogo mais completo da época por parte do FC Porto, uma que que dominou a equipa da Serra da Freita e venceu de forma inquestionável, mas os dois golos podiam ter sido muitos mais.
Arruabarrena foi um autêntico muro na baliza do Arouca na primeira parte, defendendo as ocasiões ora de Pepê, ora de William Gomes. No regresso dos balneários, a necessidade de chegar ao golo fez o FC Porto acelerar os processos. Primeiro foi Pepê a cabecear à trave, num lance que antecedeu alguma polémica e dois golos anulados à equipa azul e branca, aos 52′, por Alberto Costa, por falta deste sobre o guarda-redes contrário, e aos 59′, por Kiwior, por interferência de André Silva na jogada.
Ainda assim, os comandados por Francesco Farioli acabariam mesmo por chegar ao 1-0 por intermédio de Gabri Veiga, que desviou para o fundo das redes um cruzamento de William Gomes, que pareceu uma locomotiva antes de assistir o espanhol.
O golo deu maior tranquilidade aos portistas, que desperdiçaram várias ocasiões para fazer o 2-0, perante um Arouca que abanou e muito com o tento sofrido. O golo da tranquilidade surgiu aos 85 minutos, quando Borja Sainz desviou de primeira um cruzamento de Pepê.
O FC Porto, que arrancou a I Liga com três vitórias seguidas pela quinta vez seguida, reeditou os resultados alcançados diante de Alverca e de Rio Ave, isolou-se na liderança da prova com nove pontos e continua sem sofrer golos em 2026/27 ao cabo de quatro jogos oficiais. Desde 2017/18 que a equipa azul e branca não completava os primeiros quatro embates da temporada sem golos consentidos.
Mas vamos às notas desta partida:
Figura
Foi com a ajuda de Gabri Veiga que o FC Porto conseguiu quebrar o último reduto do Arouca. O espanhol quebrou o enguiço quando a bola parecia não querer entrar. Não só ajudou na hora de defender, como também é o grande pensador e criativo da equipa.
Surpresa
Ignacio de Arruabarrena sofreu dois golos é um facto, mas também acumulou um total de oito defesas. Fez a mancha nas tentativas de Pepê e William Gomes, anulou com duas defesas seguidas o golo a André Silva e Froholdt e ainda travou um primeiro remate de Borja Sainz. Não ficou bem na fotografia no 1-0 de Kiwior, que podia ter sido um grande frango, mas não contou.
Desilusão
Orest Lebedenko viveu uma noite para esquecer. A asa direita do FC Porto, principalmente o brasileiro William Gomes, deram muito trabalho ao ex-Vitória SC, que desiludiu e muito na hora de defender e sobretudo de atacar.
Treinadores
Francesco Farioli
Os dragões pressionaram alto e forte desde início, mas evidenciaram uma gritante falta de eficácia no primeiro tempo. A segunda parte foi totalmente diferente. O FC Porto reentrou no jogo em modo fulgurante e encostou o Arouca à sua baliza. Como diz o ditado: água mole em pedra dura… tanto bate até que fura… e furou mesmo com o golo de Gabri Veiga. O tento desmontou por completo o Arouca e Borja Sainz fechou as contas já perto do fim.
Vasco Seabra
O técnico referiu após a partida e reafirmamo-lo. O Arouca esteve longe do que mostrou nas duas primeiras jornadas e faltou alguma daquela essência dos jogos anteriores. É certo que o adversário era o campeão em título, mas não se pode sair de um jogo com duas a três ocasiões criadas, nenhuma delas de grande perigo. Fica a nota para a entrega dos comandados de Vasco Seabra.
Arbitragem
Trabalho globalmente positivo para João Pinheiro. Esteve bem nos dois golos anulados ao FC Porto e foi bem auxiliado. Foi mantendo o critério para ambas as equipas.