Uma estreia vitoriosa, mas pouco convincente. É este o resumo do primeiro jogo da seleção nacional sob a liderança de Jorge Jesus. Portugal recebeu e bateu o País de Gales (1-0), no Estádio José de Alvalade, no arranque da Liga das Nações, mas ficou longe de assinar uma exibição fulgurante.
Com a intenção de fugir às performances pachorrentas dos últimos tempos sob a tutela de Roberto Martínez, o novo selecionador nacional tentou aplicar rapidamente o seu estilo de jogo, sobejamente conhecido, mas quiçá o pouco tempo de trabalho com os jogadores tenha dificultado esta transição – apesar de JJ ter garantido o contrário na antevisão da partida.
Portugal entrou com vontade de marcar, chegou ao golo relativamente cedo, pelos pés de João Félix, aos 22 minutos, mas foi perdendo gás, permitindo que o País de Gales conseguisse reentrar na partida já depois da hora de jogo.
Os primeiros sinais não foram, assim, os mais animadores nesta era Jorge Jesus, com vários problemas do passado a reaparecerem – dificuldades pelo corredor direito ou falta de jogo interior -, mas só o tempo dirá se o técnico de 72 anos conseguirá fazer milagres e transformar um conjunto de grandes jogadores numa equipa verdadeiramente dominadora.
Com maior ou menor brilho, a equipa das quinas conseguiu o mais importante, vencer no arranque da Liga das Nações, competição na qual é o atual detentor em título. A nota artística, que JJ tanto valoriza, terá de ficar para depois, sendo que já no domingo é hora de visitar Oslo e aí o nível subirá drasticamente, uma vez que do outro lado estará a Noruega, de Haaland e companhia, que tanto impressionou no Mundial2026.
Vamos aos destaques do Portugal-País de Gales.
A figura
Depois de ter andado perdido entre Atlético de Madrid, Chelsea e AC Milan, João Félix renasceu no Al Nassr com Jorge Jesus na última temporada. O destino voltou a juntá-los, desta feita na seleção, e Félix tem agora caminho aberto para se tornar na grande figura da seleção dos próximos anos.
Ontem deu mostras daquilo que é capaz de fazer: posicionado no corredor central e sempre pronto a engatar uma finta ou a disparar um remate na direção da baliza contrária. Foi o autor do primeiro golo da era JJ e uma das melhores unidades em campo.
A surpresa
Jorge Jesus decidiu manter os hábitos de Martínez e apostou em Rúben Neves como médio mais recuado, abdicando de João Neves ou João Palhinha. No entanto, o jogador do Al Hilal até foi bastante interventivo ao longo do jogo, não só no processo defensivo como também na manobra ofensiva, surgindo muitas vezes no auxílio a Pedro Neto no corredor direito e sem medo de arriscar no cruzamento (com critério).
Justificou uma titularidade que, à primeira vista, causou estranheza.
A desilusão
Renato Veiga foi o escolhido para fazer dupla com Rúben Dias no eixo defensivo, mas ficou abaixo do nível que mostrou no Mundial2026 – onde não foi exuberante mas cumpriu.
Assinou vários lances com evidente falta de atenção, ficando ainda ligado ao lance mais perigoso do País de Gales, já depois dos 70 minutos, quando desistiu de tentar recuperar a bola, sendo salvo por um corte milagroso de Rúben Dias.
Os selecionadores
Jorge Jesus
Depressa e bem não há quem, já diz o velho ditado, e nem Jorge Jesus consegue fugir a essa realidade. Esta seleção ainda está longe do nível que com certeza desejará, mas também é justo salientar que a noite de ontem já trouxe alguns vislumbres deste ‘novo’ Portugal, especialmente na pressão alta.
Nota, ainda, para o facto de não ter revelado receio em tirar Cristiano Ronaldo pouco depois dos 60 minutos, pese embora a entrada de João Neves, já perto dos 90′, tenha pecado por tardia – a seleção necessitava de maior controlo a meio-campo naquela fase do encontro.
Craig Bellamy
Bellamy é mais um caso de um antigo jogador que rapidamente chegou a selecionador. O País de Gales não tem o talento de outrora – os tempos de Gareth Bale já lá vão -, mas ficou longe de ser presa fácil para Portugal em Alvalade. Mesmo em desvantagem, os galeses nunca atiraram a toalha ao chão e foi precisamente na reta final que se mostraram mais perigosos, já depois de Bellamy ter operado um par de mexidas.
O árbitro
O melhor elogio que se pode fazer a um árbitro é que mal se deu pela sua presença. Donatas Rumsas adotou um critério largo, permitindo que o jogo fosse fluído e sem grande tempo perdido em interrupções. Nada a apontar ao árbitro lituano.