Vincenzo Italiano concedeu uma extensa entrevista à edição desta quinta-feira do jornal transalpino Corriere dello Sport, na qual confirmou que foi contactado pelo Benfica, no passado verão, quando a direção liderada por Rui Costa estava ativa em busca de um novo treinador, face à saída de José Mourinho para o Real Madrid, por 15 milhões de euros.
A opção acabou por recair sobre Marco Silva (que estava em final de contrato com o Fulham), mas nada que tivesse afetado de sobremaneira o ítalo-alemão, que estava de saída do Bologna e que, mais tarde, seguiria viagem rumo à Turquia, para assumir o leme do Besiktas, que acabara de avançar para a demissão de Sergen Yalcin.
Questionado sobre se teria sido abordado por alguma formação da Serie A, Vincenzo Italiano atirou: “Digamos que sim, mas não vou dizer qual foi. Tive conversas com umas poucas equipas, na Europa. Tive uma grande conversa com a estrutura do Benfica, que ma abriu um pouco a mente, dado que, anteriormente, não estava aberto a trabalhar no estrangeiro”.
“Poucos dias depois, o Besiktas ligou-me e apresentou-me um grande projeto. Decidi tentar esta aventura, e, até há poucos meses, nunca teria pensado em fazê-lo. Eu queria ficar em Itália e tentar alcançar grandes feitos, mas a história correu de maneira diferente”, lamentou, recusando, ainda assim, ‘fechar a porta’ ao país.
“Não sei… O meu sonho, desde que era criança, era conquistar o Scudetto. Continuo a ser um sonhador, vejamos se irei conseguir fazê-lo antes de me retirar”, apontou Vicenzo Italiano, que, no já extenso currículo, conta, ainda, com passagens por Vigontina, Arzignano, Trapani, Spezia e Fiorentina.
“Estou agradavelmente surpreendido com a Turquia”
Nesta mesma entrevista, Vincenzo Italiano fez um balanço francamente positivo dos primeiros meses passados no comando técnico do Besiktas, equipa na qual milita o internacional português Tiago Djaló, e pela qual soma dez vitórias e três derrotas ao cabo dos 13 encontros disputados, até ao momento.
“O ambiente que se vive aqui é extraordinário. Estádios novos, enormes, todos cheios e repletos de paixão. Faz-me lembrar do futebol italiano, nas décadas de 1980 e 1990, quando jogávamos todos às 15h00 e esperávamos a semana inteira pelo jogo. Há uma intensidade louca, e não apenas dos adeptos das grandes equipas”, refletiu.
“Acontece em todo o lado. No último jogo, fomos jogar ao estádio do Amedspor [desaire, por 3-2], uma equipa recém-promovida. Eles tinham 40.000 animais lá dentro. Foi impressionante. É o mesmo ambiente de que eu me recordo, quando era criança, em Itália, quando todos os estádios estavam cheios”, prosseguiu.
“Estou agradavelmente surpreendido. Talvez este campeonato não esteja ao nível dos cinco principais campeonatos da Europa, mas está num bom nível e continua a crescer. Além disso, há jogadores valiosos e treinadores de topo que continuam a chegar”, completou, dando como exemplo Dusan Vlahovic.
“Falei com ele no dia em que assinei contrato, para perceber em que ponto ele estava, depois de ter deixado a Juventus. Ele teve muitas conversas com muitos grandes clubes. O clube concordou comigo em como iríamos tentar trazê-lo. no final, recebemos um jogador de 26 anos de idade, que ainda tem um grande futuro pela frente”, concluiu.