O último mercado de transferências de verão foi um dos que mais dinheiro movimentou em toda a história do futebol português. Bateram-se recordes de compras e vendas de jogadores, particularmente nos denominados três ‘grandes’, mas a verdade é que, ao fim de quase um mês, o investimento tarda a justificar-se em pleno.
De tal maneira que, olhando para a tabela dos dez reforços mais caros, salta de imediato à vista que apenas dois podem, por enquanto, afirmar em pleno direito que já o são. Mais concretamente, Sergi Altimira e João Palhinha, que se vão apresentando como autênticas ‘âncoras’ do meio-campo de Benfica e Sporting, respetivamente.
Em plano inverso, há quem continue a convencer, apesar das oportunidades, quem não tenha tido grandes oportunidades de o fazer e até mesmo quem ainda não se tenha estreado. Mas vamos por partes, pelo que o Desporto ao Minuto apresenta o ponto da situação destas milionárias ‘caras novas’.
1.º – Rodrigo Zalazar (do Sporting de Braga para o Sporting, por 30 milhões de euros)
O mais caro reforço interno de sempre do futebol português chegou ao Sporting ‘embalado’ pela época mais produtiva da carreira (23 golos e oito assistências em 43 jogos), mas o início está a ser… tímido. Já marcou (por duas vezes) e assistiu (por uma), é verdade, mas também já ‘meteu a pata na poça’, ficando diretamente ligado ao sobressalto vivido no triunfo sobre o Vitória SC, por 3-2.
2.º – Ibrahima Ba (do Famalicão para o Sporting, por 21,25 milhões de euros)
Chegou a Alvalade a ‘meio gás’, depois de ter sido operado ao menisco do joelho direito (o que terá, inclusive, levado a que ‘chumbasse’ nos exames médicos, no Strasbourg). Assinou uma estreia auspiciosa, na vitória sobre o Alverca, por 3-1, mas uma recaída afastou-o, uma vez mais, dos relvados, pelo que ainda não teve a oportunidade de mostrar-se de forma contínua.
3.º – Issa Doumbia (do Venezia para o Sporting, por 20,5 milhões de euros)
As expetativas eram muitas, tendo em conta o que fizera em Itália (que chamou, inclusive, a atenção do Benfica), mas, tal como Rodrigo Zalazar, as sucessivas chances no onze titular não têm merecido o respetivo retorno desportivo. Numa equipa que mudou do ‘cerebral’ Hidemasa Morita para um acelerador de jogo, Rui Borges tarda a encontrar a fórmula certa para o fazer encaixar.
4.º – Sergi Altimira (do Real Betis para o Sporting, por 18 milhões de euros)
Desta lista, teria, porventura, a tarefa mais complicada, visto que foi contratado para ‘fazer esquecer’ o antigo capitão, Morten Hjulmand. Ainda assim, a verdade é que não tardou a impor-se de leão ao peito. Imperial sem bola e criterioso com ela, o espanhol é já um titular indiscutível no meio-campo verde e branco.
5.º – Alessandro Circati (do Parma para o Benfica, por 18 milhões de euros)
Num verão marcado pelas saídas de Nicolás Otamendi e António Silva, a titularidade do centro da defesa encarnada foi transferida para Clément Lenglet e Tomás Araújo. Alessandro Circati tem vindo, aos poucos, a mostrar que pode ser uma alternativa a ter em conta, mas a amostra é curta para um jogador que motivou um investimento tão avultado.
6.º – Jakub Kaminski (do Colónia para o Benfica, por 17 milhões de euros)
Rubricou uma estreia, no mínimo, aquém das expetativas, na derrota sofrida na visita ao St. Gallen, por 2-1, que levantou, inclusive, dúvidas quanto àquilo que a direção liderada por Rui Costa teria visto para ter pago tanto pelo seu passe. Ainda assim, aos poucos, tem vindo a ‘desabrochar’, e deu, inclusive, nas vistas, na semana passada, com o golo que selou a vitória sobre o AC Milan, por 0-2.
7.º – Nestory Irankunda (do Watford para o Sporting, por 15 milhões de euros)
Parecia destinado a conquistar facilmente a titularidade da ala esquerda do ataque, até porque as alternativas eram os jovens Flávio Gonçalves e Jesse Derry. Ainda assim, a tarefa está a revelar-se mais complicada do que se previa, até porque, nos cinco jogos que já fez (sempre vindo do banco de suplentes), deu poucos motivos para reclamar outro tipo de preponderância.
8.º – João Palhinha (do Bayern Munique para o Benfica, por 14 milhões de euros)
Foi a mais mediática transferência do defeso, em Portugal (até por conta do interesse do Sporting, clube no qual completou formação), e, para já, está a fazer jus às expetativas. O internacional português encaixou ‘que nem uma luva’ no sistema tático implementado por Marco Silva, conquistou a titularidade absoluta e viu, inclusive, Jorge Jesus ‘recompensá-lo’ com o regresso à seleção nacional.
9.º – Gabriel Mec (do Grêmio para o FC Porto, por 11 milhões de euros)
Tido como uma das maiores promessas do futebol brasileiro, o jogador de apenas 18 anos de idade continua a ser alvo de um intenso trabalho tático por parte do treinador italiano Francesco Farioli, de tal maneira que ainda nem sequer teve a oportunidade de somar os primeiros minutos ao serviço dos campeões nacionais em título.
10.º – Tommy Marqués (do Barcelona para o Sporting de Braga, por 11 milhões de euros)
Um caso em tudo semelhante ao de Gabriel Mec. Com 19 anos de idade, o médio-defensivo chegou ao Estádio Municipal de Braga numa perspetiva de futuro, e também está na luta por um ‘lugar ao sol’. O compatriota Carlos Vicens conhece-o bem, mas ainda só o presenteou com 79 minutos em campo, distribuídos por quatro encontros.