Uma nuvem de dúvidas pairou sobre Rui Borges nos últimos dias. O empate na receção de sábado ao Arouca (2-2), o terceiro na presente edição da I Liga e o segundo consecutivo na prova, aumentou a contestação em torno do treinador do Sporting. A sua continuidade esteve em causa, como o Desporto ao Minuto revelou, mas a SAD liderada por Frederico Varandas decidiu dar um voto de confiança ao técnico que é natural de Mirandela.
Ultrapassadas estas dúvidas, Rui Borges tem agora pela frente cerca de três semanas de trabalho, que correspondem à pausa para os compromissos das seleções, onde poderá afinar o plantel do Sporting e tentar corrigir os problemas que os verde e brancos têm evidenciado ao longo das últimas semanas de competição.
Tendo isto em mente, o Desporto ao Minuto tentou perceber aqueles que podem ser os desafios que Rui Borges terá pela frente ao longo dos próximos dias. O primeiro deles é mesmo o da concentração. O Sporting já sofreu três autogolos esta época, dois deles da autoria de Gonçalo Inácio frente a Famalicão e Galatasaray e um outro de Rui Silva no primeiro jogo da temporada na I Liga na visita ao Estrela da Amadora. É, por isso, um dossiê a rever nesta paragem.
Outra das situações que deve estar a preocupar Rui Borges estará relacionada com a coesão da equipa como um todo, ou melhor, a falta dela. À semelhança do que aconteceu na visita à Reboleira na primeira jornada, o Sporting voltou a desperdiçar vantagens em Famalicão, sofrendo o golo da igualdade no último suspiro do encontro, e na receção ao Arouca, quando averbou dois golos dentro dos últimos dez minutos. Aqui até se pode incluir a receção ao Vitória SC, em que os leões quase desperdiçaram os três golos à maior sobre os vitorianos.
O meio-campo também não parece muito alinhado. Se, por um lado, Sergi Altimira se tem revelado um verdadeiro polvo no setor intermediário e feito esquecer o antigo capitão Morten Hjulmand, como se pôde confirmar diante do Arouca, por outro lado, Issa Doumbia continua sem mostrar todo o potencial que evidenciou na passagem pelo Venezia. O italiano tem sido uma espécie de Morita nesta equipa leonina e parece não estar a entender-se muito bem com as tarefas que tem de cumprir.
A fechar este conjunto de desafios está a falta de impacto de alguns dos reforços de verão. Silas Andersen, por exemplo, começou a época a titular, mas foi remetido a uma condição de suplente nas últimas partidas. Pedro Lima não somou qualquer titularidade, assim como Jesse Derry, Moncef Zekri e Kaique Pereira. Ibrahima Ba foi titular contra o Alverca, mas encontra-se a recuperar de lesão.
Ainda que esta seja uma boa altura para consolidar os processos, a verdade é que o Sporting foi alvo de uma autêntica debandada e que pode, inclusive, afetar a participação de alguns atletas na deslocação ao reduto do Sporting de Braga, marcada para 9 de outubro. São 17 os jogadores que foram chamados às seleções, sendo que alguns deles devem regressar a solo português no dia anterior à visita ao terreno dos minhotos.
Rui Silva (Sporting), Gonçalo Inácio (Portugal), Zeno Debast (Bélgica), Fotis Ioannidis (Grécia), Vagiannidis (Grécia), Rodrigo Zalazar (Uruguai), Nestory Irankunda (Austrália), Maxi Araújo (Uruguai), Iván Fresneda (Espanha), Issa Doumbia (Itália), Geny Catamo (Moçambique), Luis Suárez (Colômbia), Eduardo Felicíssimo (Portugal sub-21), Flávio Gonçalves (Portugal sub-21), Rafael Nel (Portugal sub-21), Silas Andersen (Dinamarca sub-21) e Jesse Derry (Inglaterra sub-20) são os jogadores fora das contas de Rui Borges para os próximos dias. Por isso, é de esperar que o grupo de trabalho seja composto por alguns jovens provenientes dos escalões de formação do verde e brancos.