Farioli? É um pouco mais caro que eu quando fui para o Chelsea

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André Villas-Boas abriu o livro esta segunda-feira sobre a sua mudança para presidente nos últimos anos no FC Porto, com foco na contratação de Francesco Farioli e o que está a ser feito para o manter no emblema azul e branco.

Num episódio do podcast de John Obi Mikel, antigo jogador do Chelsea, com o nome The Obi One Podcast, o presidente portista adiantou a cláusula de rescisão do treinador azul e branco.

“É um pouco mais caro do que eu era quando fui para o Chelsea. A cláusula de Farioli é de 20 milhões de euros. Grandes profissionais, com muito talento, valem muito dinheiro. Por isso fixámos uma cláusula de 20 milhões de euros”, frisou André Villas-Boas.

“É especial. Se vai ser difícil segurá-lo? Hoje em dia, ao encontrarem os projetos certos, os treinadores tendem a ser muito mais cautelosos. Esse clube oferece estabilidade, condições de treino e a vantagem cultural e competitiva de um grande clube europeu. Acho que os técnicos estão a começar a escolher mais os projetos do que os próprios clubes. A Premier League atrai cada vez mais os melhores talentos, nós disputamos talentos até com os clubes do Championship, mas pensando na carreira, um técnico jovem como Farioli, aos 38 anos, quer escolher bem o seu próximo passo. Antecipámos a renovação em dezembro do ano passado, antes de conquistarmos o título. Acreditamos muito nele e ele em nós. Isso é muito bom”, continuou.

A mudança de treinador para presidente também foi um tema de conversa entre os dois, com AVB a garantir que este cargo era o seu “destino”.

“Era o meu destino. Isso começou quando eu treinava o Zenit. Uma funcionária do FC Porto mandou-me uma mensagem a dizer que, um dia, eu seria presidente do FC Porto. A mensagem mexeu muito comigo. A partir daí fui assimilando cada vez mais essa ideia. O FC Porto pertence aos sócios e eu candidatei-me em 2024 contra um presidente histórico que ganhou todos estes magníficos troféus [aponta para os sete troféus internacionais]. Ganhei as eleições e o meu propósito é servir o FC Porto e deixá-lo melhor do que estava quando assumi. Seria mais um sonho realizado”, refletiu Villas-Boas sobre o seu novo cargo.

“Como presidente sentes mais alívio, como treinador participas mais no processo. Como treinador o envolvimento direto nas táticas e nos treinos traz mais prazer imediato. Como presidente sente-se mais alívio, ansiedade e uma grande responsabilidade por servir os sócios e gerir a instituição”, pontuou.

Sobre a evolução do plantel desde que chegou ao comando do clube azul e branco, André Villas-Boas admite que não tem sido fácil, principalmente a nível financeiro para contratar jogadores.

“Tentei usar a experiência como treinador para escolher jogadores e treinadores. Tem sido uma montanha russa. No primeiro ano ficámos muito abaixo do esperado, havia muitos problemas para resolver, sobretudo estabilizar o clube em termos financeiros e colocá-lo no rumo certo. Fizemos muitas mudanças estruturais. Não temos um dono a injetar dinheiro. Os nossos donos são os sócios e não queremos ir tirar dinheiro aos bolsos deles. Procuramos ser criativos e encontrar soluções”, explicou o presidente do FC Porto.

“No futebol foi difícil até que escolhemos Farioli e deu resultados. Investimos muito na equipa, 100 milhões de euros em contratações para reconstruir a equipa e chegamos a 2026 com o plantel mais valioso do futebol português. Temos muito talento, ótimos jogadores e um grande treinador. Temos uma maior estabilidade a longo prazo”, referiu.

Ainda assim, não esconde que tem algumas saudades do relvado, ainda que não tenha intenções de voltar a ser treinador de futebol.

“Houve um dia que mexeu muito comigo. Eu vinha a preparar-me há dois anos para as eleições e o choque emocional veio quando ganhei as eleições e fui ao centro de treinos pela primeira vez, para encontrar-me com Sérgio Conceição. Reencontrar o relvado, sentir o cheiro da relva, ver as bolas, a organização… Foi um momento difícil, senti que aquele era o meu lugar, mexeu comigo, foi impactante, mas foi só nesse dia”, recordou, antes de deixar uma garantia.

“Na verdade, não [quero voltar a treinar]. Eu separei as coisas, dediquei a minha vida a este projeto, a servir o FC Porto. Nasci como adepto do FC Porto, lembro-me de ir aos jogos nos ombros do meu tio, aos 6 anos.  Ocupei vários cargos no clube e, quando Mourinho chegou, virei seu adjunto como analista. Saí e voltei como treinador principal, ganhei a Liga Europa, o campeonato… Agora voltei como presidente, tenho uma ligação muito especial com este clube. Isso é um propósito de vida que preciso cumprir. É o destino”, concluiu.

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