Torreense leva Carnaval até à Europa numa noite que ficou para a história

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Há noites que ficam para a história e a de quinta-feira acabou por ficar marcada de forma indelével no percurso do Torreense. Depois da inédita e surpreendente conquista da Taça de Portugal após vencer na final o favorito Sporting, por 2-1 após prolongamento, e da presença na Supertaça Cândido de Oliveira, que foi disputada em Coimbra, a equipa de Torres Vedras tinha em mãos mais uma hipótese de fazer história.

Em Arasen, perante um estádio quase cheio, a modesta formação portuguesa, apenas a terceira dos escalões secundários lusos a ir à Europa, entrou em campo para disputar o primeiro jogo europeu da sua história. Se, para muitos, o favoritismo estava do lado do Lillestrom, que voltava a provas da UEFA 26 anos depois, o Torreense mostrou que não estava para brincadeiras e levou o ‘seu’ Carnaval à Europa, saindo da Noruega com uma histórica e épica vitória que vale muito mais do que três pontos.

Habituados à folia do Carnaval de Torres Vedras, os eleitos de Luís Tralhão mostraram personalidade e organização, numa exibição nem sempre bem conseguida. O início até foi nervoso para os visitantes, mas, numa fase de menor fulgor da equipa da casa, eis que surgiu o primeiro golpe na história dos portugueses.

Na sequência de uma saída rápida, David Bruno cruzou com conta, peso e medida para o desvio certeiro de Alfaro ao minuto 23. Estava feito o primeiro golo europeu da história do Torreense. Pouco depois (27′) Malik viu Dahlberg evitar milagrosamente o 0-2. Do outro lado, Adriel travou um remate de Vá, depois dos portugueses terem baixado as linhas.

A segunda parte começou com novo grito de glória dos portugueses. O capitão Javi Vázquez cruzou largo desde a esquerda e Manu Pozo disparou rasteiro junto ao poste para uma nova explosão de alegria dos azuis-grená aos 49 minutos. A inédita vitória na estreia europeia estava mais perto. Com o aproximar da hora de jogo, o Torreense acabou por ir recuando as suas linhas e isso deu vida ao Lillestrom, assim como as substituições que foram operadas pela formação da casa.

A insistência dos nórdicos deu frutos aos 79 minutos, com Thomas Olsen a reduzir para o Lillestrom. O tento deu novo ânimo aos noruegueses, que ainda ganharam esperança minutos depois com a expulsão por acumulação de amarelos Jatta (85′). Os noruegueses tentaram empurrar a equipa de Luís Tralhão em busca do empate, mas os homens de Torres Vedras fecharam os caminhos da baliza e garantiram o primeiro triunfo de sempre do clube em provas europeias, numa noite histórica para os livros do clube e do futebol luso.

Mas vamos às notas desta partida:

Figura

Alejandro Alfaro acabou por ser o homem da noite. Não só marcou o primeiro golo de sempre do Torreense em provas europeias, como também foi uma autêntica ‘vassoura’ no setor intermediário dos portugueses.

Surpresa

Javi Vázquez voltou a mostrar que está preparado para outros voos. O capitão do Torreense esteve impecável a nível defensivo e ainda contribuiu com uma grande assistência para o desvio certeiro de Manu Pozo.

Desilusão

Fredrik Gulbrandsen costuma ser o avançado de serviço do Lillestrom e até é um jogador muito experiente. Ainda assim, o norueguês foi presa fácil para os centrais do Torreense, acabando por deixar a partida sem ser uma grande ameaça para os portugueses.

Treinadores

Hans Erik Odegaard

Para uma equipa que já leva quase 30 jogos esta temporada, o Lillestrom deixou algo a desejar neste encontro. Depois de algum perigo criado na reta final da primeira parte, o clube da casa só voltou a causar mossa já perto dos minutos finais quando marcou o golo. Com mais um em campo na reta final, os nórdicos não conseguiram aproveitar esse facto para voltar a ferir o Torreense.

Luís Tralhão

A má época que o Torreense vem realizado na II Liga fazia antever um jogo difícil para o clube português. Ainda assim, desde cedo se percebeu que o emblema de Torres Vedras não tinha ido à Noruega apenas para passear. A alma e o coração dos portugueses fizeram a diferença no norte da Europa. Ainda que se tenha desligado em alguns momentos do duelo, o Torreense foi capaz de manter a serenidade rumo à vitória final.

Arbitragem

Nada a apontar ao trabalho do checo Ondrej Berka que manteve o critério ao longo do jogo.

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